Obama: a esperança renovada? Terça-feira, Jan 20 2009 

Caramba, hoje é a posse de Obama.  O povo americano está esperando demais dele. É a síndrome do messias!

Explico-me. Uma população no meio de uma crise que não sinaliza para um final feliz no curto prazo tende a buscar um escape. Um objeto de esperança. E Obama encarna bem isso.  Tem carisma, é democrata (representa mudança) e acima de tudo é negro! A importância de ser negro é destacada, visto que o povo negro já sofreu demais com a discriminação naquele país. Mas tirando a idéia de um grande passo para o fim do racismo, creio que Obama não terá grande sucesso na solução dos outros conflitos que o esperam.

A mídia tem ajudado bastante na construção  da imagem do messias, mas sabemos que os pacotes anti-crise, lançados pelos governos de todo o mundo pouco tem ajudado na resolução da crise. E este é só um ponto. Outra questão é a guerra na faixa de gaza. Os states sempre apoiaram Israel nestas situações. Tomar posição contrária é suicídio.  Mas ao mesmo tempo não indicar mudanças implica em continuidade com o governo Bush e Obama não quer isso.

Outro ponto delicado é a Guerra do Iraque. Se retirar os soldados de lá e o país voltar a ser um caos vão jogar a culpa em Obama. Se não retirar os soldados e continuar na mesma vai parecer que não estão fazendo nada! E se resolver apertar o  cerco no país, vai parecer que o presidente gosta de uma guerrinha, ao estilo do Bush…

Bom, pelo jeito é melhor Obama se concentrar nessa questão racial mesmo  e manter distância da política externa. Qualquer coisa é só inventar que apenas 1% da população está interessada em questões externas nessa época de crise…rs.

Mas é bom reconhecer outros pontos positivos. Além do fim da discriminação comemorado, temos também a consolidação da democracia. Como Obama disse: “Nesse dia nos reunimos porque escolhemos a esperança em vez do medo (até parece a posse de outro presidente bem popular) a união em vez da discórdia”.  Sem dúvida é a consolidação da democracia e dos valores que embasaram nossa sociedade liberal.

Concurseiros de plantão Quarta-feira, Abr 2 2008 

Excelente entrevista:

Além dos Limites:

do site: www.correioweb.com.br/guiadeconcursos

O consultor legislativo Gabriel Dezen Junior é especialista em direito constitucional, matéria presente em todos os editais de concursos públicos. Ao chegar a Brasília, o catarinense percebeu as vantagens de ter o governo como patrão e prestou seis seleções: foi aprovado em todas. O método de busca para o sucesso, desenvolvido por Dezen, deu tão certo que ele foi chamado para dar aulas na faculdade de direito do UniCeub, no Instituto Serzedello Corrêa, do Tribunal de Contas da União; no Tribunal Regional do Trabalho e no Instituto Legislativo Brasileiro, do Senado. Nesta entrevista, ele fala um pouco do sucesso da sua trajetória e ensina os ingredientes da receita da aprovação.

Por que fazer um concurso público?
O concurso público não é a única forma de busca de realização pessoal, financeira e profissional. Mas, em Brasília, diante da escassez de grandes empresas e dos baixos padrões remuneratórios da iniciativa privada, talvez seja a melhor opção. E ao contrário da percepção das pessoas que desconhecem como funciona o serviço público, um cargo na esfera governamental não é uma espécie de “cabide” para desqualificados ou para pessoas que não encontram colocação na iniciativa privada. As duras seleções às quais são submetidos os candidatos, principalmente a cargos de primeira linha, comprovam os elevados níveis de qualificação que são demandados, afastando, pela própria mecânica dos concursos, os ineptos, incompetentes ou despreparados.

Como está o cenário para os concurseiros em 2008, depois que o governo perdeu a CPMF?
A questão da CPMF vem aterrorizando todos os projetos, desde a febre amarela até obras viárias e concursos públicos. Mas seus efeitos sobre a área de concursos serão mais fortes no âmbito do Executivo. Os Poderes Judiciário e Legislativo não estão sujeitos às decisões executivas nessa área, por serem detentores de autonomia orçamentária. Obviamente, uma redução nas dotações de pessoal nessas esferas do poder público poderá reduzir algumas vagas. Mas temos visto que os concursos previstos, principalmente no Judiciário, serão mantidos.

Como se preparou para cada concurso em que foi aprovado?
Sempre tive a certeza de que a preparação exige dedicação obstinada, estratégia e método, e não apenas esforço. Ninguém é aprovado por ficar oito ou 10 horas folheando apostilas em uma biblioteca. O processo de aprendizado precisa ser entendido. Na linha da estratégia, li com muita atenção A Arte da Guerra, de Sun-Tzu, e transferi os ensinamentos do grande general chinês para a preparação para concursos.

O senhor nos daria uma idéia do que seria esse método?
Em síntese, o que o candidato deve ter em mente é: a) não memorize as matérias de direito, em nenhum dos ramos; direitos, leis e regimentos devem ser entendidos, não decorados, pois a informação só ficará efetivamente retida e pronta para ser usada numa prova, se habilitar o candidato a raciocinar sobre ela, e a “decoreba” não leva ao raciocínio; b) transfira as informações de livros, apostilas e aulas para resumos, quadros comparativos e fluxogramas; a atividade mental de montar tais esquemas auxilia bastante o aprendizado, e permite ao candidato pensar sobre o que está estudando; c) tenha um cronograma bem planejado, distribuindo seu tempo entre as matérias do edital, e siga-o rigidamente; d) conheça o seu perfil de estudo e concentração e adapte sua preparação a ele.

Qual a primeira coisa que o candidato deve ter em mente?
Todo candidato a concursos deve saber: nos estudos de qualquer direito, seja constitucional, administrativo, processual, penal, civil, não se decora nada! O direito deve ser entendido, deve fazer sentido para quem está estudando. Costumo perguntar aos meus alunos se seria mais fácil para eles recitar um texto em português ou em húngaro. A resposta, claro, é português, pois faz sentido e uma frase leva à outra. Já o texto em húngaro teria que ser decorado e repetido sem que você soubesse nada do que estava dizendo. Fala-se muito hoje que o concurseiro se tornou uma figura profissional, que conhece a si mesmo e seus próprios limites, tem metas e luta,com disciplina,para conquistá-las. Como você vê isso? Disciplina e método são as chaves para a aprovação, a qual exige que o candidato conheça os seus limites e os explore ao máximo, mas nunca além deles. Lutar por lutar leva à derrota. Lutar para vencer leva ao resultado e só se vence, disse um general chinês, se a pessoa conhecer a si e ao “adversário” — esse, no caso, a banca examinadora. Não gosto da expressão “concurseiro profissional”, pois ela dá a sensação de que fazer concurso, para essas pessoas, deixou de ser meio para ser objetivo. Mas o verdadeiro candidato a concursos tem em mente que as seleções devem, necessariamente, constituir-se em ponte entre ele e seu objetivo: um cargo público. Quanto aos limites e metas, o candidato deve conhecer, nem que seja minimamente, rudimentos do processo de aprendizagem, sob pena de desperdiçar tempo e energia.

Como uma pessoa pode desenhar a trajetória para ser bem-sucedido em concursos públicos?
Como já disse: com disciplina férrea e método. A disciplina refere- se àquele que sabe que só triunfará quem levar a decisão de passar às últimas conseqüências, respeitando seus limites físicos e mentais, mas não atuando aquém deles. O vital para a aprovação vai desde a leitura atenta do edital até a questão da atividade física, da alimentação, da concentração, do ambiente, da elaboração e uso de resumos, da escolha da bibliografia de apoio, do comportamento nos momentos que antecedem a prova e durante ela. O cérebro é um poderoso aliado, se bem conduzido, mas pode ser traiçoeiro. Quais os concursos mais difíceis e disputados? Sem dúvida o da Câmara dos Deputados, do Senado Federal e do TCU, além da CGU e da Receita Federal. O padrão remuneratório dos melhores cargos nessas estruturas homenageia a qualificação técnica exigida para a aprovação. Na área jurídica, os concursos para ingresso na magistratura e no Ministério Público também são deliciosamente desafiadores.

Quais as dicas para quem já estuda há anos e está desanimado?
Reveja urgentemente o seu método de estudo. Se está em contato com livros, apostilas e professores há anos, sem sucesso, certamente está fazendo a coisa errada. Mas a pessoa jamais deve duvidar de sua capacidade. Se ela não tem tido sucesso isso não significa incapacidade, mas sim erros de método, falta de disciplina, falta de orientação ou de foco. É bom lembrar também que o desespero não aproxima a pessoa, nem um milímetro, dos sonhos dela. Sentar-se à beira do caminho não vai colocá-la mais perto do objetivo.

Quais concursos deverão surgir no horizonte de 2008?
Estamos esperando, desde o final de 2006, o do Senado, para as áreas de analista legislativo e técnico legislativo. O número de vagas e o padrão remuneratório deverão tornar esse concurso, quando oficializado o edital, em algo muito atraente. Além disso, TCU e Polícia Federal devem fazer seleção ao longo deste ano, juntamente com a CGU, Receita Federal e vários tribunais. É um prato cheio para quem quer resolver a vida neste ano.

Um começo Quarta-feira, Mar 26 2008 

Eu começaria essa reforma tributária decretando o fim da CIDE e do COFINS. rs

Esta reforma não reforma Quarta-feira, Mar 26 2008 

Folha de S. Paulo
Paulo Rabello de Castro

A proposta de reforma lançada pela administração não só mantém como arrisca majorar mais a carga tributária

EM RECENTE negócio de transferência de tecnologia -muito proveitoso para o Brasil- em que o parceiro estrangeiro receberia 2% sobre o preço de venda “líquido de tributos”, a dificuldade da negociação foi convencer os empresários do outro lado do mundo de que, aqui, nada menos que quatro diferentes tributos incidiriam sobre o preço de venda da futura produção, onerando-a em quase 40%. Seriam, pela ordem, o ICMS, o IPI, a Cofins e o PIS. Caso o equipamento fosse alugado, também incidiria o ISS, aumentando a lista para cinco categorias diferentes.
Não parecemos ser um país preocupado com o futuro, com o potencial de crescimento, com a geração de empregos, com as chances dos jovens num mundo cruelmente competitivo. Por que somos tão alheios ao que nos condena a um desempenho inferior ao potencial das pessoas e das organizações no país? A administração pública tornou-se devoradora da competitividade nacional. Não há que cogitar uma reforma tributária se ela não vier acompanhada de uma bela chacoalhada na composição e no nível do gasto público nas três esferas de governo.
Infelizmente, a proposta de reforma lançada pela administração não só mantém como arrisca majorar mais a carga tributária. O motivo desse defeito de fabricação da reforma é o compromisso prioritário do governo em garantir cobertura para o insustentável nível da despesa pública (hoje em 40% de toda a produção nacional!), em vez de refletir o que seria a demanda principal da sociedade, a contenção imediata do gasto e da tributação, tal como ficou claro na vitoriosa campanha pela extinção da CPMF, cuja pretendida prorrogação, em apenas dois meses de arrecadação em 2008, já se comprovou totalmente desnecessária.
O projeto de reforma contempla alguns pleitos da sociedade, como a compactação de três contribuições (PIS, Cofins e Cide) numa só categoria federal (o “IVA” nacional) e a junção da esdrúxula contribuição sobre o lucro (CSLL) à base do IR da pessoa jurídica. Nisso fica a reforma efetiva. No restante, vem o diabo, justamente nos detalhes e meandros da proposta.
O projeto inova onde não convém e empaca onde deveria avançar. É corajoso em inventar erros novos, enquanto parcimonioso ao pretender eliminar erros antigos. Entre os erros antigos, os piores são a manutenção do famigerado IPI, o Imposto sobre Produtos Industrializados -um tributo antiindústria-, e a contribuição patronal ao INSS, que torna a contratação de mão-de-obra nacional, percentualmente, a mais cara do mundo! Há outros erros, novos, como a proposta de compartilhamento do novo IVA nacional entre as três esferas de governo, que fatalmente aumentará a carga total, criando-se para isso um fundo de compensação entre Estados, além da reinvenção do imposto sobre as “viúvas proprietárias de imóveis” -ou seja, o imposto sobre “grandes fortunas”. E o pior de todos, a terrível invenção de uma nova instância política, o “senadinho”- como será conhecido o conselho de secretários da Fazenda no Confaz, assim que estufados os poderes desse órgão, de interferir, por voto de maioria, na vida fiscal dos Estados brasileiros.
Muito mais haveria que dizer sobre as 14 páginas do texto oficial. Mas, numa linha, essa proposta ainda não é aquela que, de fato, reformará a estrutura fiscal com olhos postos no futuro do Brasil. Lastimo que não tenhamos tido a coerência de manter foco e rumo nos três objetivos de uma reforma tributária que 100% dos futuros trabalhadores do Brasil aplaudiriam: simplificação, desoneração e capacidade de competição global.

PAULO RABELLO DE CASTRO , 59, doutor em economia pela Universidade de Chicago (EUA), é vice-presidente do Instituto Atlântico e chairman da SR Rating, classificadora de riscos. Preside também a RC Consultores, consultoria econômica, e o Conselho de Planejamento Estratégico da Fecomercio SP. Escreve às quartas-feiras, a cada 15 dias, nesta coluna.

Cartilha da Reforma

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