Do Estado de São Paulo: Quinta-feira, Nov 15 2007 

O Estado de S. Paulo

Pravda
Demétrio Magnoli 

Pravda, em russo, significa “a verdade”. Esse foi o nome do jornal do Comitê Central do Partido Comunista da URSS, que desempenhava a função de voz oficial do Estado soviético. O conceito de verdade oficial é o pilar sobre o qual se ergue a chamada TV Pública, criada por medida provisória do Executivo.

O ministro da Comunicação Social, Franklin Martins, autor intelectual do projeto, reivindica como fonte de inspiração a BBC, rede pública britânica. Os críticos, por outro lado, enxergam na Telesur de Hugo Chávez o modelo do que alcunharam de TV Lula. Mas a nova rede brasileira não se assemelha à BBC, pois carece de independência, nem à Telesur, pois carece de um programa político e ideológico.

A BBC nasceu em 1922, como consórcio privado para emissões radiofônicas experimentais, transformando-se anos depois numa companhia estatal de televisão. Sua incorporação pelo Estado respondia aos objetivos geopolíticos de obtenção de liderança na nova tecnologia de TV e de manutenção de uma influência mundial que se esvaía no ritmo da crise do Império Britânico. No pós-guerra, com a dissolução do Império, a BBC afirmou-se progressivamente como centro noticioso independente. Essa condição, comprovada recentemente na cobertura da invasão do Iraque, reflete a tradição de separação entre Estado e governo na Grã-Bretanha e se expressa num conselho cujos integrantes são indicados pela rainha. 

A chamada TV Pública brasileira não é pública nem estatal, mas puramente governamental. Franklin Martins caçoa da opinião pública quando promete independência para um ente dirigido por um Conselho Curador, um Conselho Diretor, um Conselho de Administração e uma Diretoria Executiva preenchidos por nomeações presidenciais. Ao contrário da BBC, a rede brasileira será a voz da verdade do governo de turno e, também, um prêmio para jornalistas e intelectuais que não têm vergonha de desempenhar o papel de áulicos dos poderosos da hora.

A Telesur, embora formalmente plurinacional, é um instrumento da política externa “bolivariana” de Hugo Chávez. Trata-se de uma TV estatal, mas de um Estado que se identifica cada vez menos com a nação venezuelana e cada vez mais com o regime chavista. Sua missão é desfraldar a bandeira da “Pátria Grande” latino-americana, difundir o antiamericanismo e promover a liderança do caudilho entre correntes nacionalistas e de esquerda no subcontinente. 

Ao contrário de Chávez, Lula é um conservador e um pragmático, cujas tendências salvacionistas não o impedem de governar com as elites econômicas e de restaurar a influência evanescente de elites políticas anacrônicas. A rede de TV que implanta não tem a pretensão de veicular uma verdade que se quer histórica, mas unicamente as verdades minúsculas que interessam ao Planalto. Em princípio, é mais um privilégio posto à disposição de futuros ocupantes do Executivo e um campo de trabalho para jornalistas empenhados em se deitar à sombra fresca da árvore do poder. 

Há tempo, correntes do PT inconformadas com a “democracia burguesa” reivindicam do governo Lula um programa de “controle social da mídia”, eufemismo que abrange tanto a criação estatal de veículos subordinados ao partido como a limitação da liberdade de imprensa. A pressão surtiu efeitos periféricos, como o direcionamento de verbas de propaganda de empresas estatais para o financiamento de veículos impressos e eletrônicos que praticam o jornalismo chapa-branca. A nova rede de TV não é, primariamente, uma resposta a essas demandas, mas um produto da divulgação midiática dos escândalos de corrupção no governo federal.

O terremoto do “mensalão” convenceu Lula a criar uma rede de mídia subordinada à sua vontade. Franklin Martins e Tereza Cruvinel, comentaristas políticos destacados que, desafiando os fatos, funcionaram durante a crise como porta-vozes informais das narrativas do Planalto, foram recompensados, respectivamente, com os cargos de ministro e presidente da nova Empresa Brasileira de Comunicação. Helena Chagas, a jornalista que alertou o então ministro Antonio Palocci para uma incomum movimentação na conta bancária do caseiro Francenildo Costa, ganhou o cargo estratégico de diretora de jornalismo da TV governamental.

As indicações evidenciam que, ao contrário do que afirma Franklin Martins, o foco da rede de TV será o jornalismo político, não a disseminação da produção cultural regional, uma missão das TVs educativas estaduais. Mas onde está o argumento para justificar que o governo deve gastar impostos produzindo jornalismo político?

Karl Marx escreveu, no longínquo 1842, uma série de artigos em defesa da liberdade de imprensa. Juntamente com uma crítica devastadora da censura, cuja leitura recomendo aos marxistas atuais, entusiastas de regimes que fecham jornais e encarceram jornalistas, registrou singelamente que, em todos os lugares, “documentos oficiais do governo se beneficiam de perfeita liberdade de imprensa”. Muito anterior ao desenvolvimento das modernas máquinas de propaganda que permitem aos governos importunar os cidadãos dia e noite com a sua própria versão de todas as coisas, o registro de Marx gera uma indagação: qual é a utilidade social de uma mídia governamental?

A indicação de Helena Chagas para a direção de jornalismo merece atenção particular. Voluntária ou distraidamente, ela rompeu uma regra de ouro do jornalismo, segundo a qual ninguém – muito menos as autoridades! – pode ter acesso privilegiado a uma notícia de interesse público. A sua participação instrumental na quebra ilegal do sigilo bancário de uma testemunha, um crime de Estado típico de regimes policiais, é uma aula inteira sobre as relações incestuosas entre jornalismo e governo. A concepção que cerca a nova rede de TV interpreta o incesto como virtude e, orwellianamente, traduz submissão como independência. O Pravda nunca publicou a verdade.

Do meubrasilacorda.blogspot.com Terça-feira, Nov 13 2007 

Domingo, 11 de Novembro de 2007

O triângulo PT, MST e crime organizado

Sepulveda da Fonseca, Radar da Mídia
http://radardamidia.blogspot.com/

A impunidade está triunfando no País! E sendo implantada pelo PT do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E com a conivência deste.

A cada dia fica mais claro que o MST (verdadeira milícia revolucionária do campo) pratica seus atos em profunda conivência com o PT e as autoridades.

No Pará, a governadora Ana Júlia Carepa (PT) instituiu oficialmente a impunidade para as ações gravemente ilegais de sem-terras e grupos do crime organizado. E está abrindo caminho para a guerrilha ideológica.

Ameaças, crimes de extorsão, mortes

O promotor Daniel Barros advertiu a governadora que no Pará “está-se confundindo reforma agrária com crimes de extorsão, dano ao patrimônio, ameaças, lesões corporais e mortes”. E, num contra-senso gritante, tudo com a proteção da autoridade máxima do Estado.

A reportagem da revista Veja (7.nov.07), intitulada Faroeste no Pará, fala por si:

“Hoje, a área, equivalente à do estado do Rio de Janeiro, abriga um dos maiores rebanhos do país. A economia floresceu, os investimentos chegaram e o preço do hectare dobrou desde 2004. Agora, uma onda de conflitos agrários e um surto de banditismo ameaçam interromper o desenvolvimento. Vinte e cinco fazendas já foram invadidas. Vinte delas ainda estão ocupadas e oito foram destruídas. A Justiça concedeu mandados de reintegração de posse a nove fazendeiros. Nenhum deles foi cumprido, porque a governadora Ana Júlia Carepa, do PT, editou uma portaria proibindo a polícia de interferir nos conflitos agrários. Pasme, mas é isso mesmo. A medida define esses casos como “conflitos sociais” e estabelece que eles devem ser dirimidos exclusivamente por uma delegacia de assuntos fundiários ….

A decisão da governadora beneficiou não só os sem-terra como também três quadrilhas de malfeitores que aterrorizam o sul do estado. Esses bandos invadem fazendas e cobram resgate dos seus proprietários. Quando não recebem o dinheiro, matam animais, queimam pastos e arruinam edificações. ….

Em meio à impunidade, uma recém-criada organização de sem-terra começou a aterrorizar a região: a Liga dos Camponeses Pobres, que mantém relações com remanescentes do Sendero Luminoso, o grupo terrorista de orientação maoísta que matou 30.000 pessoas no Peru nas décadas de 80 e 90. Os integrantes da liga andam encapuzados e armados. Dois deles contaram que a organização funciona com o dinheiro que cobra de pessoas interessadas em ganhar lotes da reforma agrária. ….

Os crimes dos bandoleiros e dos sem-terra, combinados com a impunidade assegurada pelo governo do PT, levaram fazendeiros a contratar empresas de segurança. …. “É a única alternativa que temos, porque o pouco de presença de estado que existia aqui desapareceu”, afirma a presidente do Sindicato Rural de Redenção, Rosangela Hanemann. O Pará da governadora Ana Júlia Carepa é uma terra sem lei”.

Por que não te calas? Terça-feira, Nov 13 2007 

    Nossa, demais a frase do Rei espanhol pedindo ao Chaves pra se calar.  Já bastava o fato desse ditador ter deixado o celular ligado durante toda a reunião, somente pra se exibir quando recebesse o telefonema do Fidel…..

Pois é, regimes ditatoriais se entendem muito bem. Não é a toa que Chaves se tornou o melhor amigo do velho Castro. Essa semana foi hilária. Tomara que o episódio tenha feito com que o Hugo adquira modos nas próximas reuniões políticas que participar.

E viva el Populismo!!!!

Terceiro Mandato tramado por membros do PT!!! Sábado, Nov 10 2007 

Um documento interceptado na comunicação entre dois dirigentes do PT!

 
“Agora sim, o procedimento que vamos adotar está lido, relido e analisado por dois grandes juristas, cujos nomes já lhe informei pessoalmente. O memorando dele é objetivo e claro. Os passos serão os seguintes, na Câmara e no Senado. A novidade que ele confirmou, é que com este procedimento se prescinde de emenda constitucional prévia. A) Decreto legislativo convocando plebiscito em 2008, na data da eleição municipal aprovando a segunda reeleição, ou terceiro mandato consecutivo. B) Basta a assinatura de 1/3 dos deputados e depois dos senadores. C) Presença no painel em plenário: 50%. D) Votação se dá por maioria simples independente do numero de votos. Uma vez realizado o plebiscito com a vitória inevitável pró segunda reeleição ou terceiro mandato, a legitimidade da tese e a pressão popular, seriam avassaladoras. Aí sim se faria tramitar a PEC como simples ratificação da vontade popular. Irresistível. Ideal seria que a proposta de Decreto Legislativo fosse apresentada simultaneamente nas duas casas já com 1/3 dos deputados e senadores. Mas é importante que a primeira votação seja na Câmara. Lembro que nenhum parlamentar de nossa base que não queira se comprometer terá problemas. Basta se ausentar da votação. Um terço temos fácil e depois garantir o quorum de 50% e se ausentar, e deixar para os mais firmes a maioria simples em plenário, é outra vez muito fácil. Depois do plebiscito, que deputado ou senador terá coragem de votar contra a PEC? O terceiro mandato sairá das ruas.”

Ou seja: será que Lula está se transformando num Hugo Chaves à brasileira?

Próxima Página »