Caramba, hoje é a posse de Obama.  O povo americano está esperando demais dele. É a síndrome do messias!

Explico-me. Uma população no meio de uma crise que não sinaliza para um final feliz no curto prazo tende a buscar um escape. Um objeto de esperança. E Obama encarna bem isso.  Tem carisma, é democrata (representa mudança) e acima de tudo é negro! A importância de ser negro é destacada, visto que o povo negro já sofreu demais com a discriminação naquele país. Mas tirando a idéia de um grande passo para o fim do racismo, creio que Obama não terá grande sucesso na solução dos outros conflitos que o esperam.

A mídia tem ajudado bastante na construção  da imagem do messias, mas sabemos que os pacotes anti-crise, lançados pelos governos de todo o mundo pouco tem ajudado na resolução da crise. E este é só um ponto. Outra questão é a guerra na faixa de gaza. Os states sempre apoiaram Israel nestas situações. Tomar posição contrária é suicídio.  Mas ao mesmo tempo não indicar mudanças implica em continuidade com o governo Bush e Obama não quer isso.

Outro ponto delicado é a Guerra do Iraque. Se retirar os soldados de lá e o país voltar a ser um caos vão jogar a culpa em Obama. Se não retirar os soldados e continuar na mesma vai parecer que não estão fazendo nada! E se resolver apertar o  cerco no país, vai parecer que o presidente gosta de uma guerrinha, ao estilo do Bush…

Bom, pelo jeito é melhor Obama se concentrar nessa questão racial mesmo  e manter distância da política externa. Qualquer coisa é só inventar que apenas 1% da população está interessada em questões externas nessa época de crise…rs.

Mas é bom reconhecer outros pontos positivos. Além do fim da discriminação comemorado, temos também a consolidação da democracia. Como Obama disse: “Nesse dia nos reunimos porque escolhemos a esperança em vez do medo (até parece a posse de outro presidente bem popular) a união em vez da discórdia”.  Sem dúvida é a consolidação da democracia e dos valores que embasaram nossa sociedade liberal.